Vivemos em Loop
Autoplay.
Feed infinito.
Próximo episódio.
Isto não são apenas funcionalidades de experiência do utilizador, mas sim padrões que interiorizamos, rituais que repetimos quando a vida real parece excessiva, rápida e distante.
Fazemos scroll por conforto
Na minha investigação sobre binge-watching e binge-scrolling entre estudantes universitários, descobri que estes comportamentos surgem muitas vezes não por tédio, mas por necessidade emocional. Por Solidão. Por Ansiedade social. Pelo desejo de um momento de controlo ou de presença. Enquanto que as marcas e as plataformas constroem ambientes pensados para reter a atenção, os utilizadores aprenderam a dar-lhes um novo significado: ambientes que não servem unicamente para escapar, mas sim para acalmar, simular ligação e estabilidade.
Não estamos a falar de uma audiência passiva
Estamos a falar de pessoas emocionalmente envolvidas numa coreografia silenciosa de sobrevivência.
O que à primeira vista parece distração é, muitas vezes, um ato de resistência; sobretudo no contexto universitário, onde existem pressões perpendiculares constantes e um grande desejo de pertença, de correspondência e de se ser visto.
Sistemas emocionais
Este insight é um lembrete que, mesmo os comportamentos mais casuais dos utilizadores, estão carregados de intenção emocional.
Projetar tendo isto em mente é encontrar as pessoas onde elas realmente estão: não apenas nos seus ecrãs, mas sim nas suas vidas interiores.
Com base na dissertação de mestrado da Sofia Vieira Rosas “Binge-Watching e Binge-Scrolling: os Padrões de Consumo na Vida de Estudantes Universitários”, Universidade de Aveiro, 2024.
Conclusão
Compreender a forma como consumimos é compreender a forma como sentimos.
As marcas que souberem escutar os silêncios - e não apenas os cliques - serão aquelas que realmente vão ter eco no futuro.



